No final de novembro de 2024, eu fui a uma gira de Preto Velho pra me consultar. Eu estava me queixando de como a vida estava difícil e dizendo que esperava que as coisas melhorassem pra mim em 2025. O Preto Velho que me atendeu me perguntou por que eu esperaria até 2025 pelas mudanças. Eu respondi que o ano já estava acabando e que não daria mais tempo de fazer nada. Ele então me disse algo que me marcou profundamente: “Todo dia é um ano novo. Todo dia é o início de algo.”
Em seguida, ele me perguntou o que eu estava fazendo, concretamente, pra alcançar os objetivos que eu dizia ter. E, sinceramente, eu não soube responder. Depois da gira, fiquei pensando: "quero mudanças, sim, mas quais? O que, exatamente, quero mudar?"
E foi assim que o meu 2025, ainda em 2024, começou. Em pleno mês de dezembro, fui aprovada em um novo emprego, na coordenação de uma escola bem conhecida aqui no Rio. Aos 45 do segundo tempo, como diriam os entusiastas de futebol. Depois de uma breve viagem de fim de ano para o Espírito Santo, onde visitei o maior Buda da América Latina e comi o melhor morango da minha vida em Domingos Martins, voltei pro Rio e já comecei a trabalhar.
O trabalho não era difícil, mas era bastante desgastante. Prefiro não comentar, mas o que posso dizer é que ser ameaçada por um responsável no telefone no primeiro dia de aula foi o de menos. Ainda assim, eu sabia fazer tudo, e não digo isso para me gabar. Eu literalmente vivi dentro de escola a vida inteira.
Os meses foram passando e comecei a sentir algo como: “Tá… e agora? Eu me movimentei, mas por que tenho a sensação de que tô nadando, nadando pra morrer na areia? O que eu não tô enxergando?”
É aquilo, né: não é porque você sabe fazer que deveria estar fazendo.
Foi aí que eu entendi que era hora de mudar. E isso não dizia respeito apenas à minha vida profissional. Dizia muito sobre a minha vida pessoal também.
Nesse período, comecei a sonhar muito (Um detalhe importante sobre mim: geralmente lembro dos meus sonhos com muitos detalhes. Minha terapeuta ama; eu, nem tanto. Aí já viu, né? Sempre acordo cansada.), e, bom, quando se está fazendo terapia, os sonhos nunca são simplesmente sonhos. O cuidado com a saúde mental foi essencial, inclusive (Pois é, menina: essa sou eu com a terapia em dia e medicada. Imagina se não tivesse.). Na terapia, fui descendo às profundezas do meu inconsciente. E olha, não é nada fácil encarar a própria sombra. Era Jung dizendo “vamo integrar isso aí, mona” e eu lutando, resistindo, fugindo. Mas não dá para fugir de quem a gente é.
Passei a prestar mais atenção em mim. No que eu sentia e não tinha coragem de nomear. No que eu pensava e não tinha coragem de dizer. Entendi que não dá para viver algo que a gente não acredita. Precisei aprender a ouvir meu coração e, principalmente, minha intuição. Foi um exercício difícil, mas necessário. Tipo a Vasalissa indo encontrar a Baba Yaga (Sim, eu li "Mulheres que correm com os lobos", como adivinhou?).
Passei a observar meus sonhos, meus impulsos e as verdades que eu evitava nomear, entendendo que fugir de mim nunca foi uma opção. Entendi, enfim, que as movimentações que eu precisava fazer eram muito mais internas do que externas. Na verdade, pra que as mudanças externas acontecessem, as internas precisavam vir antes.
Comecei a prestar atenção na pessoa e, principalmente, na mulher que sou, e a me entender melhor. Entendi que desejo não se explica, se sente. Percebi que tudo é transformação. Parei de me desculpar por ser a Larissa e comecei, simplesmente, a ser a Larissa.
2025 foi o auge do meu retorno de Saturno. Fiz 30 anos e a vida cobrou com força. Dá pra dizer com certeza que a Larissa de janeiro definitivamente não era a mesma de dezembro. Isso acontece todo ano, mas em 2025 aconteceu de forma muito mais intensa. Eu já sabia que seria um ano de grandes movimentações, pelos orixás regentes, mas foi tudo bem... hardcore. Não foi fácil, mas também não foi ruim. “Babado forte” seria a expressão certa.
Apesar de tudo, foi um ano em que
aprendi a me olhar com mais gentileza. A me achar bonita, desejável. A ter mais
compaixão por mim mesma.
Conheci pessoas maravilhosas.
Também me despedi de pessoas que achei que levaria para o resto da vida. Vivi
términos de amizade e afastamentos que doeram mais do que eu esperava, mas que
hoje entendo como necessários.
Minha espiritualidade também se
ampliou. Hoje, minha forma de enxergar o mundo é plural: astrologia, terços,
água benta, óleo ungido, orixás, tarô, Buda, bruxas. Não tem como ser
diferente. Eu sou plural. Nada mais justo que minha fé também seja.
Tenho muito a agradecer às pessoas
que caminham comigo, às que chegaram para somar e às que voltaram pra minha
vida. Agradeço também aos ciclos que se encerraram, porque tudo faz parte da
vida, da grande Roda da Fortuna: “a mesma, no entanto outra.”
A lição que ficou é simples: não há mudança sem movimento. Saturno me ensinou muito e eu apanhei, mas tô aprendendo.

